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"O grande inimigo da verdade não é muito
frequentemente a mentira (deliberada, controvertida e desonesta), mas o mito –
persistente, persuasivo, e não realista. (John F. Kennedy).
O dicionário Aurélio define mito como “Ideia
falsa que distorce a realidade e não corresponde a ela”. A história é
atravessada por uma série de mitos que fazem parte do imaginário humano, usados
para explicar fatos e até para provocar medo frente ao desconhecido, saciar a
sede do homem na busca por respostas, e portanto é tomada por verdade, até que
haja a desmistificação baseada em algum fundamento prático. As doenças acompanham
o homem desde o sempre e assim se buscou a causa dos males nas mais diferentes
teorias que vão de um extremo a outro.
Até hoje com todo o desenvolvimento
cientifico, as pessoas por escassez de informação tendem a mistificar assuntos
que deveriam ser de explicação simples, uma das mais debatidas ideias se
debruçam sobre o colesterol, que pelo consenso da massa, é a causa de muitas
doenças do sistema vascular e tem relação direta a obesidade, sendo assim visto
pela grande maioria como um verdadeiro vilão, a mídia insiste em afirmar essa
ideia sem dar a possibilidade de discernimento ao espectador leigo, um dos
assuntos mais debatidos atualmente se dar sobre o HDL (High Density Lipoprotein)
e o LDL (Low Density Lipoprotein), vulgarmente conhecidos por colesterol bom e
colesterol ruim.
Essa postagem será dividida em duas
partes, a primeira será para esclarecer o que é o colesterol e sua função no
organismo, a segunda será a abordagem clinica a respeito dos seus efeitos.
Muito se fala sobre o colesterol,
mas será que todos sabem o que ele significa?
Colesterol
é um composto químico da família do álcool, com aparência e
textura de uma cera macia que é muito
importante para o organismo humano porque ele participa na síntese da membrana
celular, na produção da vitamina D e dos hormônios sexuais feminino e
masculino, que são respectivamente o estradiol e a testosterona, que também são
esteroides, parte é sintetizada no fígado e instestino, e o restante é
obtido a a partir da alimentação, o colesterol é lipossolúvel e portanto para
chegar até os tecidos precisa se ligar a
outras substancias formando partículas maiores, chamadas lipoproteínas O colesterol é
insolúvel em água e ele precisa ser transportado de um tecido para o outro por
meio do sangue, que é aquoso. Assim, ele é convertido em lipoproteína ,
que são estruturas esféricas que comportam em seu centro substâncias
hidrofóbicas, que não se solubilizam em água, como o colesterol e outros
lipídios. Essas moléculas ficam cercadas por proteínas, que são hidrofílicas,
isto é, possuem afinidade com água e se dissolvem nela. As mais
importantes lipoproteínas são o VLDL (também conhecidas como
triglicérides), LDL (mau colesterol)
e HDL (bom colesterol). O fígado acondiciona
os triglicérides na forma de VLDL e
os despacha, pela corrente sanguínea para as células, juntamente com menores
quantidades de colesterol e proteínas, é então que as células armazenam e
utilizam essa quantidade de gorduras como "combustível". Tanto
as taxas
de colesterol muito altas quanto as muito baixas são perigosas
à saúde. O colesterol
LDL (lipoproteínas
de baixa densidade)
Sua densidade pode variar de 1,006 a 1,063
g/mL. Possui 8% de massa livre de colesterol e 70% do colesterol em nosso
organismo aparece nessa forma de proteína O LDL transporta o colesterol do
fígado para abastecer o restante do organismo, e é o mais importante carreador
de colesterol no sangue. Costuma ser denominado “mau colesterol” porque seu
excesso no sangue associa-se a doença das artérias coronárias. A LDL
lipoproteína deposita o excesso de colesterol na parede das artérias provocando
a formação de placas gordurosas que estreitam os vasos e podem impedir a
circulação do sangue. Estas placas de aterosclerose podem localizar-se nas
artérias que nutrem o coração, as coronárias, dificultando a circulação do
sangue e podendo levar à isquemia do músculo cardíaco, ou seja, ao sofrimento
do coração por falta de sangue e oxigenação adequada. A isquemia pode provocar
dor no peito (angina) e um coágulo formado na região da placa pode, por fim,
bloquear completamente a passagem do sangue, provocando o infarto.
HDL (lipoproteína de alta densidade)
Sua densidade se situa entre 1,063 e 1,210
g/mL, além de possuir apenas 2% de colesterol livre em massa. Da quantidade
total de colesterol que há em nosso organismo, somente 30% aparece nessa forma
de proteína as HDL lipoproteínas, ou “bom colesterol” remove o colesterol da
parede das artérias, devolvendo-o ao
fígado para ser excretado. O fumo baixa os níveis de HDL, enquanto o exercício
físico aumenta.
Triglicérides
Os triglicerídeos são a principal gordura
originária da alimentação, mas podem ser sintetizados pelo organismo
O colesterol pode
ser sintetizado por nosso organismo, principalmente no fígado e intestinos, ou
ingeridos. Quanto mais colesterol é consumido, menos colesterol será
sintetizado, e vice-versa. Pelo fato de o colesterol constituir as membranas
celulares de células animais, o colesterol pode ser encontrado em alimentos que
tenham essa origem, tais como ovo, bacon (toucinho defumado), carne vermelha,
nata, manteiga e laticínios no geral.
A biossíntese do colesterol é a seguinte:
Além de ser ingerido na dieta, o colesterol pode ser
sintetizado pelos tecidos humanos.
O colesterol é sintetizado a partir de acetil CoA (que
pode ser derivado de hidratos de carbono, de aminoácidos ou de ácidos gordos).
O fígado é o principal local de síntese do colesterol, mas também pode ser
sintetizado no intestino ou em glândulas que produzem hormonas esteróides
(córtex adrenal, os testículos e os ovários, por exemplo). Todas as reações
biossintéticas ocorrem no compartimento citoplasmático das células, mas algumas
das enzimas necessárias estão ligadas às
membranas do retículo endoplasmático.
A síntese endógena do colesterol – envolve mais de 30
reações enzimáticas – podendo dividir-se em 3 etapas fundamentais:
1. Formação do
Mevalonato;
Nesta primeira fase, 3 moléculas de acetil CoA são
condensadas a HMG-CoA
2. Formação do
Ácido Mevalónico;
O HMG-CoA, é em seguida, reduzido em ácido mevalónico,
pela redutase da HMG-CoA.
3. Formação do
Colesterol;
Posteriormente,
o mevalonato é transformado, após sucessivas condensações, em esqualeno,
dando-se finalmente, a ciclização deste composto em colesterol.
Na próxima postagem trataremos sobre os
aspectos clínicos, e a influência direta do colesterol em doenças do sistema
cardiovascular.
Referências:
http://www.ff.up.pt/monografias_toxicologia/monografias/ano0405/estatinas/sintese_colesterol1.htm

