“É melhor prevenir do que remediar”. Algumas frases caem no gosto popular e aos poucos vão se tornando clichês, mas algumas dela são verdades inegáveis, se há a possibilidade em evitar algo que venha a ser nocivo, então porque passar por tal situação de risco, por aventura? Não. Por descaso? Talvez. Por falta de informação? Provavelmente. O Ministério da Saúde (MS)através do Sistema Único de Saúde (SUS) ampara todos os brasileiros, não com a qualidade e homogeneidade esperada, mas acolhe a todas as classes, em contraste a países do primeiro mundo em que não há programas semelhantes, como os EUA. O MS trabalha basicamente em três frentes, o atendimento básico em que há todo o acompanhamento do paciente por uma equipe multidisciplinar que é realizado em um Unidade Básicas de Saúde (SUS), popularmente conhecidos como postos de saúde e que são locais aonde o cidadão pode receber, gratuitamente, os atendimentos essenciais em saúde da criança, da mulher, do adulto e dos idosos em odontologia, ter acesso a medicamentos e outros atendimentos primários. As UBS's resolvem 80% dos problemas de saúde da população do território que ela é responsável e promovem hábitos saudáveis de visto. Visto deste modo o programa se bem aplicado e instituído é basicamente bastante funcional visto que podem vir a resolver 80% dos casos, desafogando assim os dois outros estágios que envolvem um gradual aumento de complexidade. As UBS's são considerada a linha de frente, para maiores complexidades há ainda as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h) que são hospitais para atendimento de urgência e emergência, atuando em casos de média complexidade, para casos que necessitam de atenção especial, há o encaminhamento a hospitais de referência, que seriam a retaguarda do sistema.
A partir das postagens anteriores percebemos o quão nociva a obesidade vem a ser na vida das pessoas, física e emocionalmente, é uma doença crônica e perigosa cadastrada no CID 10 E66 Obesidade devida a excesso de calorias, é conhecida pelo efeito potencializador de várias outras doenças, então nós humanos usamos a lógica e deduzimos que se existe um mal que gera uma gama de outros males, que tal cortamos o mal pela raíz? Voltemos então ao início do texto, é melhor previnir do que remediar, mas se a doença já se estabeleceu há de ser tratada, e esse acompanhamento é oferecido ao cidadão pelo Sistema de Saúde, onde ele o econtra em UBS da sua comunidade, caso seja necessário a o encaminhamento para hospitais de referência. A portaria Nº 424/2013 do MS difiniu novas diretrizes para a organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas, que fazem parte da linha de atuação do SUS. A portaria demonstra uma nova postura diante a obesidade que vem crescendo assustadoramente no Brasil em que metade da população é considerada acima do peso, suas determinações englobam cuidados com a obesidade de forma completa, incluindo desde a prevenção ao tratamento, isso é uma mudança de impacto extremamente positivo para o futuro do Sistema Único de Saúde e, principalmente, para a saúde da população brasileira., pois há uma linha de cuidados das pessoas com sobrepeso e obesidade. De acordo com o Artigo 4º desta portaria, a prevenção e o tratamento da obesidade ficam incluídos na rede de atenção básica à saúde. Com relação às medidas relacionadas a prevenção, elas são bem completas. Enaltecem a preocupação com o diagnóstico da doença, que por vezes passa despercebida pela população em geral e, até mesmo pela classe médica. Outra determinação importante é o acolhimento adequado dos pacientes nos serviços de atendimento, conforme parágrafo g deste mesmo artigo. O obeso tem o direito de ser recebido como paciente que precisa de assistência. A capacitação adequada de profissionais de saúde para o atendimento a esses pacientes é fundamental para banir o preconceito com a obesidade em todos os níveis de atendimento.
O tratamento do paciente obeso em unidade básica de saúde, segundo a portaria, deve seguir as diretrizes clínicas vigentes. Atualmente, no Brasil há a disponibilidade de apenas dois medicamentos aprovados para a obesidade (sibutramina e orlistate) e, diante da evidente relação custo-benefício, que não existem disponiveis gratuitaente no sistema, a sibutramina foi tratada em uma postagem anterior. Além do exposto acima, a portaria também amplia os limites de idade para realização de cirurgia bariátrica, reduzindo a idade mínima para 16 anos e a máxima fica a critério da equipe multiprofissional. A cirurgia bariátrica promove manutenção da perda de peso a longo prazo, com redução de doenças associadas a obesidade e melhora da qualidade de vida. A redução da idade para a indicação da cirurgia e a possibilidade de cirurgia plástica reparadora após o tratamento cirúrgico têm indicações muito claras na portaria: seguimento de protocolos clínicos por, no mínimo dois anos, na Atenção Básica ou Atenção Especializada, sem resultado satisfatório e fechamento das epífises de crescimento.
A cirurgia plástica reparadora também está sujeita à aderência ao seguimento pós-operatório.
A cirurgia não pode ser vista como o final do tratamento da obesidade, mas apenas como um meio, a portaria, inclui a assistência completa com apoio nutricional, atividade física e acompanhamento clínico, entre outros cuidados de uma equipe multidisciplinar. Os casos cirúrgicos devem ser a minoria do atendimento a esta doença crônica de grande prevalência.
A partir da portaria podemos ver que o tratamento da obesidade é um processo delicado, que pode vir a envolver em caso de não evolução, a cirurgia bariatrica e consequente reparação por meio de cirurgia plástica, e tudo disponibilizado de forma gratuita a toda a população. Quando o processo clínico não é suficiente para curar ou amenizar certas patologias, se recorre a metodos invasivos como a cirurgia, tratando-se da obesidade, a cirúrgia bariatrica é um dos recurso, e ela será discutida na próxima postagem.
É importante ressaltar que no papel existe uma pratica de saúde, enquanto a realidade que se apresenta é outra, mais atenuada em alguns locais e mais acentuadas em outros visto que o serviço de saúde pública é ligado diretamente em sua maior parte a estados e municípios, e a sua qualidade é intrínseca a direção dos mesmos, o SUS não é um program perfeito, e sim cheio de falhas, mas consegue levar saúde a quem não pode compra-lá.